O Dia Internacional da Mulher foi adotado para chamar a atenção ao que acontece às mulheres nos outros 364 dias do ano no mundo todo. O episódio que deu origem à data, aconteceu em 1908, quando 15 mil mulheres tomaram às ruas de Nova York para reivindicar jornadas de trabalho mais curtas, melhores salários e direito ao voto. A data foi proposta formalmente, em 1910, pela feminista alemã Clara Zetkin, durante um congresso em Copenhague, na Dinamarca.

O advogado Pérsio Oliveira Landim destacou a necessidade da luta constante por uma sociedade mais justa e igualitária. “Urge a necessidade de pensarmos caminhos para a promoção de uma sociedade em que a mulher não seja vítima de tanta violência. Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o feminicídio cresceu 10,8% nos últimos quatro anos. De acordo com o mesmo levantamento, 35 mulheres foram agredidas física ou verbalmente por minuto em 2022. É preciso mudar esse cenário e só o conseguiremos com uma conscientização ampla da população”.

Landim também salientou os dados citados pela ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , Maria Claudia Bucchianeri pontuando sobre a baixa taxa de conversão de candidaturas femininas: “Nas últimas eleições, tivemos 10 mil candidaturas femininas. Destas, 300 entraram. O que significa uma taxa de conversão de 3%. Você precisa de 100 mulheres candidatas para eleger três. Mas quando a gente vai granular essas informações, percebe dados interessantíssimos: o número de candidatas necessários para fazer uma mulher é cinco vezes maior que o número necessário para fazer um homem”.

Outro ponto levantado pelo advogado é a importância da paridade de gênero. Em 2022, o Banco Mundial contou 97 países, de 190 analisados, que têm leis próprias exigindo a paridade salarial entre gêneros. É 51% do total, de acordo com o relatório anual “Mulheres, Empresas e o Direito” do banco internacional de desenvolvimento.

Em 2021, globalmente, as mulheres ganhavam 37% menos que os homens com as mesmas posições, de acordo com o Relatório Global de Desigualdades de Gênero do Fórum Econômico Mundial.

“Embora as leis sejam o primeiro passo para garantir igualdade de gênero, implementação inadequada e fiscalização fraca continuam sendo barreiras críticas para o avanço dos direitos e oportunidades das mulheres”.

O Dia Internacional da Mulher vem carregado de um simbolismo de retomada e com uma extensa luta por direitos. Landim ressaltou os progressos, mas frisou que há um longo caminho a ser percorrido. “O Brasil possui legislações reconhecidas internacionalmente, como a Maria da Penha, que trouxe avanços impactantes, precisamos avançar nessa lei e na conscientização”.

Post originalmente publicado em https://www.fatocapital.com/dia-da-mulher-persio-landim-destaca-a-importancia-dos-direitos-alem-das-homenagens